Minha Experiência com a Espiritualidade: Uma Introdução
Através desta introdução, compartilharei meu relato sobre como venho tendo contato com experiências que dizem respeito à espiritualidade e expansão da consciência. É importante frisar que essas são as minhas conclusões, oriundas das minhas experiências e estudos, que podem ou não ressoar com você.
Não tenho a pretensão de mudar o pensamento de ninguém, afinal quem sou eu? Céticos sempre serão céticos e nunca serão convencidos, independente de qualquer fato ou relato - a não ser que operem a mudança através de suas próprias experiências e cada qual em seu próprio tempo, e nunca pelo que os outros dizem. É necessário ter as experiências. “Bata e a porta abrirá”. Por outro lado, senti que seria positivo compartilhar algumas experiências, pois elas podem ser úteis para outras pessoas. Seria um erro guardar elas só para mim.
… buscando alguma compreensão da natureza material e espiritual através da espiritualidade e da mediunidade.
- Parte I - As minhas primeiras experiências
- Parte II - Meus estudos
- Parte III - Conclusão e referências
Parte I - As minhas primeiras experiências
Meditação e retiros espirituais
Devido à crescente necessidade de autoconhecimento e aos comprovados benefícios da meditação para a vida prática, a mesma acabou adentrando a minha vida e a da minha esposa. Tudo começou através de um terapeuta holístico alternativo cujo método baseia-se na visão integrada de que a cura está na observância do todo e pode ser auxiliada por alimentos, medicinas e abordagens naturais. Uma dessas abordagens é a meditação, que provou ser um forte aliado no controle da ansiedade.
Esse foi o pontapé inicial para um processo de expansão da consciência que ainda está em curso na minha vida. Passei a comparecer a alguns retiros espirituais onde nos dedicávamos a atividades como convivência, meditação, yoga e conexão com a natureza.
Além dessas práticas benéficas à saúde, tive contato com conceitos como o “Ritual do Conselho Kármico” e outros rituais xamânicos. A princípio, não entendi bem do que se tratavam, mas o meio de experimentação e descobertas em que eu estava imerso proporcionou a aceitação e quebra do preconceito que ainda preservava em meu íntimo.
Soma-se a isso experiências positivas que tive com o tarot - algo que sempre desprezei - mas que me chamaram a atenção para forças que ainda não conseguia compreender. Na época fiquei impressionado com a profundidade dessas experiências quando levadas com bom senso, mesmo com a visão racional-materialista que cultivava em meu íntimo.
Em meio a todas essas atividades e acontecimentos, não tardou para que a espiritualidade aparecesse na minha pauta. A terapia holística que tive contato, pelo próprio significado do termo “holístico”, considera o lado espiritual como parte integrante da cura do ser humano - e algumas histórias sobre espíritos acabaram atingindo os meus ouvidos. De início, não dei tanta atenção a elas, até que eventualmente algo inesperado aconteceu.
A morte
Em um dia fatídico, um ente próximo de minha esposa faleceu súbita e tragicamente. Foi um grande choque em nossas vidas, e no decurso dos fatos fizemos amizade com um familiar próximo à falecida que nos inspirou grande confiança desde o princípio.
Uma atmosfera de dor e inconformância nos rodeava, mas nossa amizade tornou-se um grande alento naquele momento tão difícil. Eu sofri menos os efeitos daquela atmosfera sufocante, pois não conhecia a falecida pessoalmente. Permanecera então emocionalmente neutro e meus cuidados foram mais para com a minha esposa.
O familiar da falecida tem uma médium vidente na família, e não tardou para tomarmos conhecimento sobre relatos impressionantes que começaram a abrir nossos olhos. Como muitas histórias de mediunidade que sempre ignorei, os contatos dessa médium com a falecida envolviam informacões íntimas e confidenciais impossíveis de serem deduzidas aleatoriamente. Não apenas uma informação, mas várias, o que desafia as leis da probabilidade. Definitivamente não era um momento para brincadeiras.
O histórico dessa médium também nos impressionou bastante, e tivemos a certeza de estar lidando com algo fora da caixa.
Creio não ser necessário relatar pormenores, pois histórias como essa existem aos montes; é só procurar para achar. Acontece que geralmente ignoramos tais histórias por julgarmos serem frutos da imaginação de quem as vivencia devido à emoção de acontecimentos fortes.
Pois bem, tais relatos abriram a minha percepção para a possibilidade da existência de algo a mais além dessa vida, pois as evidências eram muito fortes e eu as estava experienciando - apesar de que, no íntimo, não me convenci tão rapidamente.
Foi quando minha esposa marcou uma sessão especial de terapia onde nos foi recomendado um centro espírita.
Centro espírita
Dois meses após os acontecimentos, eu e minha esposa procuramos o centro espírita recomendado pelo terapeuta, aproveitando a oportunidade para tirar outras dúvidas e buscar soluções para outros problemas.
Marcamos um diálogo fraterno com o coordenador da casa, e felizmente as explicações para as nossas dúvidas foram bastante satisfatórias. Com a sede de aprendizado despertada por esse pontapé inicial, passamos a comparecer às reuniões semanais de estudo e tivemos nossa iniciação no Espiritismo através do Livro dos Espíritos e Evangelho Segundo o Espiritismo.
Durante esse período, procurei solução para um distúrbio de sono que me afetara há muitos anos, e tomei conhecimento de que se tratava de um problema de origem espiritual agravado por fatores orgânicos. A pior crise que tive foi há mais de 5 anos, quando me vi dormindo no sofá de madrugada enquanto flutuava acima do meu próprio corpo, e com uma visão mais ampla do ambiente avistei uma entidade vestida com lençóis brancos caminhando pela cozinha em minha direção, se aproximando cada vez mais do meu corpo. Foi uma visão extremamente realista e acordei com profundo medo e agitação, mas depois de recobrar a calma assumi que tudo não passara de fantasia da minha cabeça. Não sabia eu naquela época que aquilo foi uma manifestação da minha mediunidade, e não um evento único ou isolado dessa natureza em meu passado.
Apesar de não ter obtido solução imediata para o distúrbio, a clareza (e solução do problema) eventualmente veio por vias espirituais.
Experiências mediúnicas
Meses depois, acordei de madrugada como que imantado a um magnetismo inexplicável. Ao abrir os olhos no quarto antes escuro, avistei uma nuvem de ar junto a um feixe de luz, que lenta e gradualmente foi assumindo a forma de uma pessoa, da cintura para cima, mantendo grande semelhança a um holograma.
Com a visão totalmente formada, a figura de aspecto etérico apresentava-se de costas, e observando-a atentamente consegui distinguir características como sexo, cabelo, roupa e outros adereços. Assim como se formou, a visão foi vagarosamente se diluindo até restar novamente apenas um feixe de luz. Tudo isso durou alguns minutos (sim, minutos, e não segundos) e minha reação instintiva foi observar sem medo, envolto a um magnetismo sereno e calmante. A sensação foi de ter sido acordado para receber uma mensagem.
Como todo bom cético e mesmo com a clareza da visão que presenciei, poderia ter assumido que tudo não passou de coisa da minha cabeça - mas ao invés disso, não emiti nenhum julgamento e fui ao banheiro urinar. Ao voltar, refleti por alguns minutos na cama, impressionado com aquela visão extraordinária, voltando a dormir logo em seguida.
Ao acordar no dia seguinte, minha esposa estava conversando com o familiar da falecida a que me referi anteriormente. A conversa dizia que a referida médium havia recebido uma rara visita da falecida durante a madrugada. Perguntei sobre a roupa e as características do espírito, e elas coincidiram exatamente com a visão que eu tive. Para a médium, no entanto, o espírito apresentou-se de frente, e comunicou telepaticamente que foi permitida a realização da visita de caráter extraordinário apenas naquele dia, e que estava sob cuidados especiais.
Adiciono também um fato interessante: soube logo depois que a minha esposa avistou a claridade de uma luz intensa com os olhos fechados, na mesma madrugada enquanto dormia, e sentiu a sensação de um beijo no rosto.
Como já disse antes, sou a pessoa mais neutra por não ter tido envolvimento emocional com a falecida. Posso também especular os motivos pelos quais a visão se me apresentou da forma que se apresentou. Dada a confirmação irrefutável por outro médium, hoje tenho certeza que a “falecida” veio até a crosta e visitou no mínimo duas pessoas durante a madrugada.
Nessa época, antigas memórias vieram à tona e lembrei que já tive experiências mediúnicas no início da adolescência. Por exemplo, já vi um espírito passando na minha frente, como que de carne e osso, enquanto estava sozinho em casa arrumando meus CDs. O realismo da visão foi tão grande que fiquei apavorado e bastante impressionado, mas acabei esquecendo o fato por muitos anos até revisitar tais lembranças em tempos mais recentes.
E essa não foi a única experiência mediúnica de épocas mais remotas: várias vezes já tive experiências de saída do corpo durante o sono, incluindo também o episódio aqui relatado.
O fato é que, na medida em que minha mente foi se abrindo para o novo conhecimento, a minha mediunidade também foi se abrindo de forma mais acentuada, mas ainda longe de ser ostensiva.
Ceticismo persistente
O fenômeno é fútil. A mensagem por trás do fenômeno é o que realmente importa
Memo com as experiências, estudos e confirmações extraordinárias que havia experienciado, o ceticismo material permaneceu no meu consciente íntimo. Eu queria muito acreditar em tudo que estava acontecendo, mas no fundo tinha dificuldades.
Certa madrugada, me vi subitamente em um ambiente de beleza indescritível. A quantidade de detalhes e realismo do “sonho” é algo que não conseguiria descrever. Na minha frente, avistara um lago enorme; eu estava em um extenso pátio com algumas mesas e cadeiras ao longe. De onde eu estava, era possível avistar edifícios peculiares que integravam um ambiente urbano e ao mesmo tempo naturalista, de beleza singular e distinta. A visão de tudo era extraordinariamente brilhante e límpida, como nunca antes havia experienciado.
Enquanto olhava para os lados tentando entender onde estava, notei a presença de um homem que me observava com muito interesse. Virei para ele e perguntei se aquilo era real, enquanto, ao mesmo tempo, tinha a consciência de estar dormindo e falava baixo para não acordar a minha esposa, que dormia ao meu lado fisicamente na cama. Percebi que ao invés de emitir sons, emiti ondas telepáticas junto a balbúcios fracamente externados no ambiente físico, que foram imediatamente assimilados pela entidade.
Olhando-me fixamente nos olhos, a entidade segurou a minha mão, agarrou meus dedos indicador e médio e apertou-os com certa intensidade. Na mesma hora acordei e senti os dois dedos pulsando fortemente, o que indica que os estímulos foram transmitidos para o corpo físico. Aí estava a resposta para a minha pergunta. Eu estava dormindo de barriga para baixo e os dois braços estavam diametralmente opostos.
Dando-me conta que havia passado por uma projeção astral, interpretei o acontecimento como uma mensagem, praticamente um “puxão de orelha” - e a entidade que pressionou meus dedos provavelmente me acompanha (ou alguém se fazendo por ela).
Certo dia, marquei um diálogo fraterno no centro espírita, e achei curioso como um dos médiuns insistiu que “espíritos existem”, como se tivesse sido intuído a me reforçar a informação novamente.
Passei a ter outras experiências mediúnicas ainda mais intensas e aguçar um pouco mais a percepção das minhas companhias espirituais, mas creio não ser o objetivo deste texto entrar em pormenores sobre fenômenos.
Enquanto tenho alguma mediunidade (todas as pessoas têm alguma mediunidade), as minhas manifestações têm tido fins e propósitos acima de tudo úteis. Uma coisa que aprendi durante meus estudos é que o fenômeno é fútil. A mensagem que está por trás do fenômeno é o que importa. Não busco fenômenos, eles simplesmente acontecem quando têm que acontecer.
A história de Cristiane
Certo dia, minha esposa relatou um sonho. Havia sonhado com uma prima do interior que tem microcefalia e não via há muitos anos; vamos chamá-la de Cristiane. Poucas vezes na vida minha esposa visitou Cristiane ou teve contato com a prima.
No sonho, extremamente lúcido e realista, estava eu, minha esposa e outros familiares no quarto de Cristiane. Cristiane não mais tinha microcefalia; era uma menina sorridente, falante e sem nenhum sinal de sua condição física aqui na Terra. Cristiane disse à minha esposa que apreciava a natureza e gostava muito de ouvir música, especialmente Djavan. O clima no quarto era de muita felicidade; Cristiane olhava para nós dois alegre e sorridente, e até riu de uma piada que minha sogra havia proferido.
Logo após despertar do sonho, minha esposa ficou curiosa para saber notícias da parente distante e ligou para o meu sogro. Foi com muita surpresa que recebemos a notícia: em uma semana ocorreria o aniversário de 40 anos de Cristiane. Não fazíamos ideia da idade dela e ficamos muito impressionados com a “coincidência”. Os médicos haviam dado no máximo 15 anos para Cristiane, mas ela vive até hoje.
Decidimos ir ao aniversário de Cristiane. Viajamos para o interior e levamos de presente uma caixinha de som com músicas de Djavan. A cena no quarto foi idêntica à do sonho, exceto pela condição física limitada de Cristiane; ela não podia falar, mas com seu olhar demonstrou clara surpresa ao nos ver e inclusive sorriu de uma piada feita pela minha sogra.
Soubemos depois que quando ela ouviu as músicas, ficou extremamente calma e serena, o que não acontecia com outras canções que colocavam para ela ouvir - e quem estava no quarto percebeu o quanto ela ficou satisfeita com o presente. Cristiane não gostava de assistir televisão ou ouvir música, atividades que geralmente a angustiavam.
Este é um exemplo de mediunidade de premonição com evidentes conexões espirituais.
Mensagens mediúnicas e confirmações
Durante minhas experiências no centro espírita e com outros médiuns, aprendi algo muito importante: mensagens mediúnicas precisam de confirmação. E como confirmar? Simples, a confirmação é estabelecida quando mais de um médium, de preferência três ou mais, relatam visões com características iguais ou minimamente semelhantes - mesmo que cada médium tenha uma forma peculiar de perceber as coisas. Geralmente são visões muito específicas, então mesmo sem entendimento de probabilidade fica óbvio não se tratar de simples coincidência, ainda mais quando envolve mais pessoas.
Outra forma de confirmar a comunicação é quando o médium é guiado por um espírito a realizar uma ação que só faz sentido naquele contexto e não poderia ser deduzida aleatoriamente. Por exemplo, algumas vezes já fui acordado por espíritos para ajudar minha esposa de madrugada, sem ter conhecimento que ela estava acordada com algum problema (e de muitas formas ela também já me ajudou com a sua mediunidade).
Da primeira vez, ela estava tendo experiências que a levaram a buscar uma prece no Google na calada da noite. Nem um pouco ciente do fato e ainda dormindo, virado para o outro lado da cama, ouvi uma voz feminina no fundo da minha cabeça, com pronúncia muito clara e bem definida; a voz dizia uma palavra que foi repetida 3 vezes: “cáritas… cáritas… cáritas”. Uma única palavra suavemente repetida para não impressionar e não desviar a atenção da tarefa.
Com os olhos do espírito, vi uma mão com luminosidade intensa fazendo contato com a minha mão, que estava posicionada ao lado da minha cabeça na cama e dentro do meu campo de visão. Pela primeira vez senti uma experiência real de tato com o além, como se uma mão de carne e osso tivesse pousado sobre a minha. A única diferença era que a textura da mão era mais fofa.
Acordei de sopapo e vi minha esposa sentada na cama com o celular, e mesmo sem saber o que ela estava fazendo, contei-lhe tudo e disse que ouvi uma voz pronunciando “cáritas”. Ela imediatamente lembrou que de fato existe a “Prece de Cáritas”, que foi prontamente achada no Google. Finalmente, fizemos a prece juntos e voltamos a dormir aliviados, tranquilos e gratos pela ajuda recebida.
Na segunda vez, despertei repentinamente como que de um leve susto. Ao abrir os olhos, avistei uma nuvem de ar ao lado de minha esposa, que no quarto escuro se transformou na imagem de um espírito em movimento que me olhava fixamente, por segundos suficientes para que eu percebesse as suas características físicas. Após a surpresa inicial da visão, que já não me impressionava mais como das primeiras vezes, notei que minha esposa estava desperta e relatei para ela o ocorrido. Ela disse estar acordada há algum tempo e que havia chamado a mentora para conversar. Pois bem, imediatamente me caiu a ficha que eu havia avistado a mentora! O propósito do bondoso espírito foi me usar como médium para transmitir algumas palavras de conforto e alento. Logo após a transmissão dessas palavras, voltamos a dormir calmamente.
Como saber que era ela? Durante meses, três ou mais pessoas nos relataram no centro espírita a visão de uma entidade junto à minha esposa com as mesmas características físicas, em várias situações diferentes. Só pelos relatos dos médiuns já não havia dúvida quanto à existência da entidade, e por fim tive a oportunidade de confirmar o fato por mim mesmo, despretensiosamente e muitos meses depois.
Novamente entra em cena o princípio da confirmação, que é a base das comunicações mediúnicas sérias.
Parte II - Meus estudos
Como buscar conhecimento?
De acordo com as experiências que relatei e outras de igual profundidade, é inegável a existência de outra dimensão onde vivem consciências extra-físicas. E isso vale especialmente para a minha pessoa, que vem vivenciando essas experiências e relacionando-as com outras informações na psicosfera ao meu redor. Desde os acontecimentos relatados, que marcaram o início da minha jornada espiritual, muitas manifestações mediúnicas têm-me acontecido, muitas histórias tenho ouvido e alguma coisa tenho aprendido.
Nota: Mais abaixo discorrerei sobre como a mediunidade não tem nada de especial.
E agora, como aprender mais? Felizmente, existe bastante conhecimento catalogado que muitas vezes é confundido com "crença" ou "religião", e portanto ignorado por muitos. Falarei rapidamente sobre alguns deles mais abaixo.
Sabemos que religiões frequentemente são utilizadas como meios de dominação em massa, o que contribui para o estabelecimento de preconceitos e bloqueio da aquisição de conhecimentos espirituais. Muitas vezes, adquirimos preconceitos devido à conduta de humanos que se “apropriam” de certos conhecimentos, e confundimos “conhecimento” com “pessoas”. Por exemplo, seria justo zombar de Jesus motivado pela hipocrisia de alguns seres humanos? E se fizermos isso como meio de atingir os hipócritas? Afinal, o que Jesus, Buda, Krishna, Maomé, etc, fizeram ou disseram de mal? Absolutamente nada. Eu mesmo já agi assim no passado, e hoje percebo o quanto fui ingênuo.
O que é o mundo espiritual?
Disclaimer: o termo “espírito” pode remeter a preconceitos, portanto chamemos do que quiser: espírito, consciência, entidade, vulto; isso não importa.
Nada posso afirmar por mim mesmo, mas de acordo com os conhecimentos que venho obtendo, o mundo espiritual é uma outra dimensão. Nossa consciência se “transporta” para essa dimensão definitivamente após a morte, e na realidade sempre pertenceu a essa dimensão.
No mundo espiritual, temos um corpo astral de matéria sutil com aparência idêntica ao corpo físico, mas quintessenciado, elástico e moldável, e (ainda) não perceptível aos grosseiros aparelhos físicos desta dimensão. O mundo espiritual tem acesso à nossa dimensão devido à sua natureza mais sutil, enquanto o inverso ocorre de forma muito mais limitada.
Enquanto encarnados, o corpo astral molda o corpo físico no acoplamento corpo-espírito, ou seja, as células materiais são moldadas pelo corpo astral. Por conseguinte, o corpo astral é visualmente idêntico ao corpo físico encarnado, embora tenha aparência quintessenciada.
O mundo físico e denso nada mais é que uma experiência educativa que passamos para evoluir o espírito. Devido às propriedades peculiares deste mundo, os aprendizados aqui tendem a ser incorporados pelo espírito mais intensamente, e podem ser usados para expurgar energias que o mesmo precisa descarregar para ascender, ou até mesmo transmutar em outras energias. Tudo está relacionado à Lei de Causa e Efeito e às energias que incorporamos durante os vários estágios de nossa vida espiritual.
Diz-se que tudo o que existe aqui também existe lá de alguma forma. Em outras palavras, este mundo é uma projeção grosseira do que existe do outro lado. Existem pessoas boas e más. Existem cidades, natureza, paisagens, edifícios, lazer, trabalho, tecnologia (muito mais avançada), moeda de troca (não necessariamente dinheiro como conhecemos). Existem espíritos que trabalham para outros espíritos; espíritos que trabalham exclusivamente com mediunidade e auxílio às criaturas encarnadas; espíritos que trabalham como guias ou mentores de cada encarnado, o que remete à um planejamento que pode ou não ser obedecido.
O espírito é leve e se locomove com muito mais facilidade, sem precisar se arrastar pelo chão - desde que despojado de energias materiais e crenças limitantes oriundas da experiência terrestre. Não precisamos nos preocupar com banho ou com a roupa que vamos vestir, pois podemos plasmar essas características ou efeitos apenas com a força da vontade.
Finalmente, o mundo espiritual tem forte influência sobre o nosso mundo e sua natureza é calcada na lei do livre arbítrio. A reencarnação é um processo natural que ocorre por sintonia e atração magnética, e pode haver um preparo pré-encarnatório de forma a controlar o processo, visto que no mundo espiritual há tecnologias inimagináveis. Em outras palavras, na maioria dos casos a reencarnação tem total anuência do reencarnante, e é o principal veículo de aperfeiçoamento no estágio espiritual em que nos encontramos.
Todos os seres vivos são animados por espíritos. Nossa consciência está no espírito, e não em um “HD” no cérebro; o corpo nada mais é que a matéria orgânica que possibilita a percepção e vivência do espírito no meio físico, limitando a sua atuação para uma experiência material plena. Essa limitação ocorre desde o nascimento, quando o espírito é magnetizado para adaptar-se ao corpo físico subdesenvolvido de uma criança - o que por sua vez também limita o potencial pleno do espírito em favor da experiência terrestre e do “recomeçar limpo”, que implica em uma nova oportunidade (reset) sem lembranças angustiantes de outras vidas que atrapalhariam a experiência atual ou limitariam o progresso. Crianças de até 7 anos não estão totalmente encarnadas e o espírito é nelas bem mais atuante, o que explica algumas poucas terem lembranças muito precisas de vidas passadas (citarei mais abaixo o livro do professor Ian Stevenson).
O cérebro nada mais é que o órgão responsável por transmitir e adaptar os sentidos que o espírito naturalmente possui, para atuarem no mundo material de acordo com as características da matéria densa. Os sentidos reais do espírito são mais amplos e aguçados; por exemplo, o espírito consegue enxergar em todas as direções.
O pensamento tem forma. A matéria é luz condensada.
A ciência
Acreditar apenas no que vemos é de uma tremenda limitação. Olhe para você, perceba como está vivo e consciente, e como isso é fantástico. Perceba como tudo na natureza se conecta de forma harmoniosa e perfeita. Perceba que você não é apenas a sua carcaça.
Existem muitas evidências científicas de que a mente independe do corpo físico. No entanto, não existe nenhuma confirmação “oficial” porque a nossa ciência ainda não tem condições de detectar a matéria que compõe o mundo espiritual nem as entidades que dele fazem parte.
É importante frisar que a comunicação do mundo físico com o espiritual é difícil, pois são mundos de natureza e densidade completamente diferentes. Os espíritos não conseguem atuar sobre a matéria (1) e nós, enquanto matéria densa, não temos ação física sobre o mundo espiritual. Além do mais, estamos lidando com consciências inteligentes, o que torna os experimentos científicos mais difíceis e sempre “inconclusivos”, mas nunca impossíveis. A natureza inconclusiva (mas convincente) dos estudos conflita com a necessidade de reprodução científica, derivada do empirismo de Francis e Bacon, o que torna-se mais difícil por estarmos lidando com entidades humanas tão ou mais inteligentes quanto nós - afinal, também somos espíritos.
Felizmente, existem vários cientistas fazendo pesquisas sobre espiritualidade e reencarnação, que geralmente são zombados pelos cientistas céticos e orgulhosos. Todas as ideias e descobertas revolucionárias soam como loucura e costumam encontrar opositores ferrenhos desde suas concepções.
A história da humanidade está repleta de relatos sobre espíritos, envolvendo fatos confidenciais, confirmações irrefutáveis e situações até hoje sem explicação. Vemos pessoas totalmente saudáveis que apresentam mediunidade; casos de EQM (experiência de quase morte) onde pacientes clinicamente mortos, sem atividade cerebral, saem do corpo e relatam com precisão o que acontece nas salas de cirurgia, ou vão para cômodos vizinhos e sabem exatamente o que lá aconteceu - ou até mesmo viajam temporariamente para outros planos e são informados que devem voltar ao corpo físico; pessoas à beira da morte que estão com o espírito um pouco mais despreendido do corpo e portanto costumam ter experiências mediúnicas e encontros com entes queridos que pretendem recepcioná-los do outro lado. São relatos extremamente comuns, e só quem os vivenciou entende a profundidade e realidade dos mesmos. Existe uma montanha de evidências muito substancial para ser ignorada pelas pessoas e pela ciência.
Sintonias
Já se sabe há milênios que seres orgânicos e inorgânicos possuem vibração energética e são emissores e receptores de energia. Por muito tempo, esse conhecimento esteve no campo do ocultismo Hermético, mas agora encontra-se um pouco mais difundido e acessível. O terceiro princípio Hermético diz:
“Nada está parado, tudo se move, tudo vibra” - Hermes Trismegisto.
A vibração determina a sintonia do que atraímos. Espiritualmente falando, se você apresenta desequilíbrio energético, atrairá espíritos semelhantes para perto de si. Se suas energias estão equilibradas e a mente limpa e emitindo bons pensamentos, suas companhias serão igualmente boas e compatíveis com sua energia. Suas atividades também poderão atrair espíritos que se afinizam com as mesmas, onde a influência psíquica poderá ser imperceptível.
Por isso o perdão é tão importante para o equilíbrio energético. Me arrisco a dizer que foi isso que Jesus nos ensinou com o Pai Nosso: “perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido; não nos deixei cair em tentação, mas livrai-nos do mal”. O “mal” vem através de sintonias negativas, de tentações ocasionadas por sentimentos como o ódio, medo, orgulho, inveja, ganância - sentimentos estes que a experiência física contribui para educar. Ser humilde e não julgar o próximo também é extremamente importante, e torna-se ainda mais com o entendimento da vida espiritual. Além do fator "hipocrisia", todos nós erramos bastante em encarnações passadas e continuamos a errar nesta, então não estamos aptos a julgar quem quer que seja. Precisamos respeitar o tempo das outras pessoas.
E isso também se aplica ao mundo físico, não é mesmo? A tendência é que você atraia e se relacione com pessoas afins, mas no campo espiritual isso se dá de maneira muito mais evidente. Espíritos podem ter vibrações diferentes, e naturalmente podem estar em ambientes psíquicos compatíveis com as vibrações que emanam. Consequentemente, alguns espíritos mais densos não conseguem enxergar outros espíritos mais sutis.
Uma das conclusões disso tudo é que raramente estamos sozinhos. Dificilmente enxergamos o que realmente existe nos ambientes em que estamos, nem muito menos quem nos acompanha. Ambientes de matéria sutil coexistem com o nosso, e apenas os olhos do espírito são capazes de enxergá-los.
Sobre o medo
A morte é uma ilusão. Os espíritos despertos estão mais vivos e conscientes do que nós.
É normal termos medo do desconhecido e associarmos fenômenos espirituais ao campo dos fenômenos místicos ou fantásticos. Mas a verdade é que tudo tem uma explicação racional.
Primeiro, é preciso lembrar que você é um espírito. Espíritos são pessoas exatamente iguais a nós. A morte nada muda em relação às pessoas, a consciência permanece exatamente a mesma. Você não mudará depois de morto; continuará com os mesmos pensamentos, medos, aflições, sentimentos, etc.
O máximo que pode acontecer é o espírito recobrar conhecimentos ou sabedorias específicas de outras vidas, mas não é um processo instantâneo.
A mediunidade, ao contrário do que muitos pensam, é uma faculdade física. Os médiuns percebem o mundo espiritual “na pele” através de órgãos cuja função é pouco conhecida, como a glândula pineal - que é responsável por captar e projetar sinais do mundo espiritual em nossos campos mentais. Quando vemos ou ouvimos um espírito, ou sentimos “cheiros” oriundos do mundo espiritual, o que acontece na verdade são projeções em nossas mentes (2). Quando sentimos a presença de um espírito, isso se reflete no corpo de forma tão clara que quem nunca sentiu nem imagina. Em muitos casos, é possível sentir o magnetismo do espírito através de arrepios, pulsações ou pressões aleatórias que não condizem com o estado fisiológico do corpo físico. Não raramente, tais sensações precedem comunicações onde é possível ouvir vozes, estabelecer visões, sentir cheiros, entre outros. Médiuns mais sensíveis sentem a angústia de espiritos sofredores através de vibrações psíquicas emanadas pelos mesmos, ou sentem uma intensa sensação de paz com a presença de espíritos mais equilibrados.
Como somos seres apegados à matéria, sem o devido conhecimento podemos nos amedrontar com visões fantasmagóricas de “espíritos”, que causam medo devido aos meios de percepção imperfeitos que dispomos, e pela forma que os enxergamos através do nosso aparelho fisiológico. Mas aqui está um fato interessante: a forma como os espíritos mais despertos enxergam o ambiente e até mesmo outros espíritos é muito semelhante à forma como nós nos enxergamos, só que muito mais límpida, pura e quintessenciada.
Outra coisa importantíssima: temos que nos desapegar da noção que espíritos estão mortos. Os espíritos, desde que despojados de energias materiais, estão bem mais vivos e conscientes que nós. A morte é uma ilusão; apenas o corpo físico é destruído, mas o espírito é despreendido do corpo físico e devolvido ao ambiente de onde originalmente veio, para onde as consciências sempre retornam.
Vou ver espíritos?
Não necessariamente. Se você nunca apresentou sinais perceptíveis de mediunidade, é provável que nunca os apresente. E não há absolutamente nenhum problema com isso. Em outras palavras, se você não estiver cotado para trabalhar com mediunidade, a mediunidade não se manifestará em você. Eu já apresentava sinais de mediunidade, então fui conduzido gradualmente à tarefa, mas poderia perfeitamente não ter atendido ao chamado se não quisesse (lidando assim com as consequências). Esclarecerei mais sobre o propósito da mediunidade adiante.
O mínimo que pode acontecer através do conhecimento espiritual e prática da reforma íntima é o aumento da felicidade, equilíbrio, resignação e satisfação com a vida, e isso vale para qualquer pessoa.
As religiões
"Arjuna in the end says, "Please Krishna, you drive the chariot" because unless we bring Christ or Krishna or Buddha or whichever of our spiritual guides... we're going to crash our chariot, and we're going to turn over, and we're going to get killed in the battlefield" - George Harrison.
Durante toda a história, o homem vem tendo experiências mediúnicas e contatos com outras dimensões. Quantas vezes não ouvimos relatos sobre espíritos, na cidade ou no interior? Muitas pessoas têm receio de falar sobre os fenômenos espíritas que presenciam e mantêm ocultas suas convicções, pois sabem que seriam alvo de preconceito e julgamento se revelassem suas histórias.
Mas só essas pessoas sabem o que viram ou ouviram, independente de pessoa A ou B dizer que “não viu ou não ouviu”, e que tudo foi produto da sua imaginação “pois essas coisas não existem”. Quem experiencia fenômenos mediúnicos sabe que a maioria das explicações usuais dos céticos é absurda.
Existem diversos tipos de mediunidade. Há pessoas que enxergam espíritos como se fossem pessoas encarnadas; há pessoas que ouvem os espíritos; há pessoas que conseguem sair do corpo em projeção astral, até mesmo acordadas, interagindo com o que existe do outro lado; há pessoas que percebem a energia de objetos e contam a história dos donos; há a mediunidade de premonição; há médiuns de incorporação ostensivos que podem incorporar espíritos que conhecem você a fundo; há médiuns psicógrafos intuitivos, semi-mecânicos ou mecânicos; e por aí vai. Muito frequentemente, fenômenos mediúnicos podem ser corroborados por outros médiuns para fins de confirmação e credibilidade.
Agora voltando às religiões: o fato é que todas as religiões, limadas as diferenças entre elas, falam sobre a mesma coisa. A maioria das religiões acredita na imortalidade da alma e na reencarnação; a maioria dos povos relata contatos com seres angelicais chamados de “anjos”; a maioria das religiões exalta o amor como a solução para os problemas de nosso planeta; a maioria das religiões tem conceitos de pecado ou karma; de céu, purgatório, inferno ou camadas espirituais.
Se abrirmos a mente, veremos doutrinas e religiões extremamente parecidas e que falam essencialmente sobre a mesma coisa: o Espiritismo muito se parece com o Hinduísmo, que muito se parece com o Hare Krishna, que muito se parece com o Xamanismo, que muito se parece com o Budismo. Todos são extremamente ricos em sabedoria; o Espiritismo tem um enfoque mais racional e não dogmático, e prova que é possível a comunicação do mundo material com o espiritual; o Hinduísmo é baseado em uma sabedoria ancestral transmitida há séculos pelos orientais; o Xamanismo reforça o contato com o lado espiritual da natureza; o Budismo estabelece práticas para fins de iluminação e autoconhecimento (3). Eu diria que essas religiões podem se complementar para formar uma espiritualidade plena nos indivíduos praticantes, pois onde uma é teórica a outra é prática; onde uma é menos racional, a outra é mais racional; e assim vai. Não é necessário “se afiliar” a uma religião para se beneficiar dos ensinamentos da mesma.
Algumas vertentes de religiões cristãs fogem de crenças como a reencarnação e a existência dos espíritos como realmente são (existem motivos para isso), mas também sugerem o mesmo caminho para a evolução espiritual.
O que quero dizer é que todas as religiões são representações da mesma verdade e que existe uma verdade profunda por trás de todas elas juntas. Excluindo-se as modificações de teor político, a base das religiões certamente não vem do acaso, nem muito menos de um “truque mental” encenado pelas nossas mentes - mas sim de "inspirações divinas", contatos mediúnicos e da pluralidade das consciências espirituais que atuam sobre nós.
Há diversas dimensões ou camadas espirituais. Ao chegar na dimensão espiritual imediata ao mundo físico, ainda não saberemos a verdade sobre Deus e o sentido da vida. É importante manter a fé de que um dia chegaremos lá no topo, pois esse é o destino de todos nós. Somos seres espirituais vivendo uma experiência material, e não seres materiais vivendo uma experiência espiritual.
Mais sobre a mediunidade
Médiuns não são seres especiais, divinos ou mais evoluídos que outros seres humanos. A mediunidade é uma ferramenta que se traduz em oportunidade espiritual e kármica para atenuar um passado de energias negativas acumuladas. É também uma excelente oportunidade para o indivíduo se educar e praticar o equilíbrio através da reforma íntima, pois só assim é possível sintonizar com boas frequências e trazer mensagens verdadeiramente úteis. Em outras palavras, médiuns são “devedores” como quaisquer outros seres humanos encarnados neste orbe, sendo a mediunidade uma forma mais suave de expurgar más energias e ainda ajudar pessoas necessitadas.
Todos os humanos são passíveis de tais oportunidades ao longo de suas jornadas reencarnatórias; se você não apresenta sinais mediúnicos claramente perceptíveis nessa vida, poderá apresentá-los numa próxima se assim desejar e for propício. Ademais, médiuns são simples medianeiros, como já diz o termo - e apenas transmitem mensagens de outras entidades ou impressões sobre o mundo espiritual. Médiuns não têm poder por si próprios.
Charlatanismo e contradições
É muito fácil desacreditar na espiritualidade por dois motivos.
Primeiro, como em qualquer outro meio, existem charlatões e pessoas sem ética nos meios espírita e espiritualista, mas felizmente estão em número relativamente reduzido. Isso vem sendo alertado desde a concepção do Espiritismo pelo próprio Kardec. Pessoas sem ética são corrompidas com a perspectiva do lucro desonesto, e assim denigrem a própria espiritualidade e fazem um desserviço para os outros e para si próprios.
Devido ao cunho moral e à ênfase na reforma íntima e caridade sugeridas pelo Espiritismo (e Cristianismo no geral), é fácil encontrar instituições e pessoas confiáveis, adicionando o fato que a maioria das instituições não cobra um centavo sequer para realizar atendimentos; tudo é feito com boa vontade e em favor do bem coletivo.
Da mesma forma, se um espiritualista cobra dinheiro por cursos e outros serviços não relacionados à mediunidade, isso não quer dizer que não seja confiável, especialmente se viver dessas atividades honestamente e não tiver outras fontes de renda autossuficientes.
Segundo, existem contradições em algumas comunicações espíritas, mas isso se dá devido à natureza imperfeita dos médiuns, dos espíritos e dos órgãos que dispomos para captar o mundo espiritual, ou ainda devido a questões vibracionais. É extremamente comum desacreditar na primeira contradição encontrada, mas isso se dá devido à falta de estudo e rasa compreensão de como as comunicações espíritas realmente acontecem, e quais fatores de interferência podem existir. Este post, por exemplo, não isenta os interessados de estudar e buscar informações.
Existem também comunicações de ordem inferior que não são construtivas nem benéficas. Sempre desconfie de previsões sobre o futuro da humanidade, elogios exagerados que despertam a vaidade, e outras classes de “informação”. Espíritos são pessoas como nós e podem errar igualmente, ou até mesmo transmitir mensagens de má fé.
A percepção espiritual pode se dar como no filme O Universo no Olhar; no momento derradeiro, os sinais falsos culminam nos sinais verdadeiros, definitivos e irrefutáveis. Quem já viu esse filme sabe do que estou falando.
O que acontece quando morremos?
Há um processo de despreendimento do espírito, que pode ser rápido ou lento dependendo do apego à matéria e da vibração energética em que o corpo astral se encontra. O espírito tanto pode permanecer no orbe terrestre, sem esclarecimento sobre o que aconteceu, quanto pode ser magneticamente atraído para um ambiente psíquico compatível com suas próprias vibrações, e moldado pelas consciências que lá vivem.
Muitos seres humanos não têm consciência que morreram, dada a perturbação que domina o espírito após a morte e a aparente semelhança com a matéria terrestre quando vibram em frequências mais baixas. Afinal, o espírito continua com as mesmas convicções, o mesmo formato do corpo, os mesmos órgãos, os mesmos sentimentos; impregnados de energia material densa, as sensações podem perdurar e tornarem-se ainda mais fortes. O espírito pode achar que enlouqueceu ou que está em um sonho; pode ter convicção que ainda está “vivo”, pois encontra-se ainda consciente.
Se adquirimos baixas vibrações em nosso íntimo, é possível aterrissemos em ambientes compatíveis com essas vibrações. No meio espírita isso é chamado de “umbral”, e é exatamente o que algumas religiões interpretam como inferno. Ou seja, o inferno não é uma invenção das religiões, ele realmente existe; mas tudo são interpretações. No entanto, ao contrário do que algumas religiões pregam (falo isso com todo o respeito), não é um eterno suplício, mas sim um estado de consciência; é um processo natural ocasionado por leis energéticas e vibracionais, e eventualmente passará. Podemos dizer que “tudo passa”, e nada é constante ou imutável no universo; e isso não se aplica apenas ao mundo da matéria densa.
Devido à incompatibilidade energético-vibracional, o resgate de espíritos densos por espíritos menos densos é difícil e requer tempo e paciência. Antes de tudo, é necessário que o espírito desnorteado propicie e permita o resgate de forma a compatibilizar sua vibração com a de seus benfeitores. A propósito, alguns serviços mediúnicos realizados por médiuns encarnados consistem em fazer uma ponte que propicie essa comunicação, e por conseguinte o resgate de espíritos sofredores.
Por outro lado, se angariarmos equilíbrio energético, iremos para localidades mais sutis após a morte, onde existem consciências com vibrações compatíveis com as nossas. E para esclarecer este ponto vamos para o próximo tópico.
Qual o caminho da evolução espiritual?
Não é de se esperar que você se torne exatamente como Jesus, Buda ou Krishna. Cada um será iluminado em sua própria maneira.
De acordo com a classificação dos mundos, vivemos em um mundo de provas e expiações que está em fase de transição para mundo de regeneração, portanto aqui “errar é humano”. Sabemos que nosso planeta encontra-se em profunda reviravolta, e isso deve durar ainda muitos anos, senão séculos para que a transição seja concluída. Quem está na Terra, ou tem uma frequência compatível ou está em missão para ajudar na evolução do planeta e dos seres que aqui habitam.
Este é um mundo de dores e aprendizado onde a felicidade plena não existe. Estamos aqui com a perspectiva de ascencionar vibracionalmente e isso só será possível por nosso próprio mérito.
No Budismo, esse processo é conhecido como “iluminação” e está relacionado à Roda de Samsara, que é a “roda das reencarnações”. Enquanto tivermos uma vibração compatível com a do planeta Terra, aqui permaneceremos reencarnando por afinidade magnética e vibracional.
Por amor aos seres mais próximos, alguns espíritos que conseguem ascender e compatibilizar a vibração com a de planetas mais felizes e evoluídos (mais evoluídos devido à natureza vibracional), aqui permanecem para auxiliar aqueles que estão presos à teia energética do planeta.
Jesus foi um dos avatares que veio professar como atingir e incorporar o equilíbrio energético pleno: amando a Deus acima de tudo e ao próximo como a si mesmo; perdoando a tudo e a todos setenta vezes sete vezes; praticando a caridade (na profunda acepção do termo), não alimentando o ódio, o medo, a mágoa, o rancor, a inveja, o orgulho e todos os sentimentos e paixões inferiores que nos prendem à vibração da matéria densa. Isso tudo deve ser feito do fundo do coração. Em outras palavras, devemos pertencer a este mundo sem nos tornarmos escravos dos bens materiais e emoções inferiores, ou do apego excessivo à valores transientes como a beleza material ilusória, afinal a felicidade não é deste mundo e o prazer momentâneo não é a verdadeira felicidade.
Obviamente, isso não significa abdicar da sua individualidade, arte, ou do que te torna especial e único. Significa apenas fazer o bem ao próximo com o profundo entendimento de que todos nós somos iguais e estamos no mesmo barco. Se amarmos a Deus e ao próximo como a nós mesmos estaremos em um bom caminho. Lembremos que o simples geralmente é difícil de atingir, e é fácil cair em contradições se não estivermos vigilantes.
Devido à própria natureza dos espíritos, o equilíbrio energético é atingido gradualmente ao longo de várias encarnações mas isso não significa que o processo não possa ser mais acelerado. Eu devo estar longe de atingir a iluminação. Para todos nós que estamos aqui, a disciplina mental e a bondade genuína e desinteressada são lutas constantes com nós mesmos, e aquisições árduas.
O Cristianismo e o Espiritismo pregam a reforma íntima como ferramenta para auxiliar no processo de ser uma pessoa melhor, mais humana e compassiva. A reforma íntima é um caminho de renúncia, pois significa abdicar de prazeres materiais em excesso e vícios que inclusive propiciam o vampirismo de entidades viciadas nos prazeres terrenos, e que não têm como obter os mesmos prazeres no mundo espiritual. Ao adquirir vícios exagerados em prazeres terrenos, teremos a oportunidade de nos tornar umas dessas entidades após o desencarne, alimentando assim um ciclo de energias deletérias onde o encarnado de hoje poderá ser o desencarnado de amanhã.
Vivemos em um mundo material e as experiências físicas têm um propósito. O prazer é parte da experiência, mas o equilíbrio, desapego e bom senso são essenciais para uma vida plena. A busca desenfreada e desmedida por prazeres terrenos prende os seres à uma teia energética que estaciona o progresso espiritual e traz consequências desagradáveis a longo prazo. No entanto, elas não podem ser ignoradas, pois muitas vezes o mal vem para o bem, e tudo é parte da experiência. Os erros são parte do aprendizado. Não podemos nos culpar pelo mal que fizemos; devemos corrigir os comportamentos e não alimentar a culpa, pois a culpa é uma energia de vibração (bastante) inferior.
Lei de Causa e Efeito
“Toda causa tem seu efeito, todo o efeito tem sua causa, existem muitos planos de causalidade mas nenhum escapa à Lei” - Hermes Trismegisto.
No Hinduísmo e no Budismo isso é chamado de Karma. Todos nós conhecemos a terceira lei de Newton, que diz respeito à ação e reação. Esta lei, quando aplicada num sentido mais amplo no universo e na vida espiritual, torna-se uma genuína lei divina: a Lei de Causa e Efeito.
Toda ação realizada em nossas vidas movimenta energias que eventualmente geram reações. Somos seres energéticos em nossa essência mais profunda. Para expurgar enérgias deletérias de nossos corpos astrais, reações adequadas às ações que realizamos são necessárias, e estas eventualmente virão, queiramos nós ou não. Isso se aplica a absolutamente tudo o que movimentamos durante nossas vidas, pois nossos corpos astrais têm memória.
No contexto de várias reencarnações a que se refere o karma, isso significa que podemos ter energias acumuladas que ainda não foram expurgadas, mas que o serão em outras reencarnações. Da mesma forma, podem nos ser aconselhadas medidas especiais no processo reencarnatório para ajudar a gerenciar essas energias (4).
Para entender isso um pouco melhor, digamos que o nosso corpo astral seja passível de dano. Vamos supor que uma pessoa prejudicou o pulmão fumando exageradamente durante toda a vida. Além de prejudicar o corpo físico, a referida ação de fumar também danifica o corpo astral. Na próxima vida, é muito provável que venha com deficiências respiratórias ou crises asmáticas, o que corresponde à uma reação que ajuda a expurgar a energia de seu corpo astral. Semelhantemente, uma pessoa que faleceu de um tiro poderá voltar com uma mancha ou disfunção em seu corpo físico, o que é uma reação natural à ação que ocasionou o falecimento de seu corpo na encarnação anterior.
Casos como esse podem ser encontrados no livro 20 Casos Sugestivos de Reencarnação, do professor Ian Stevenson.
Parte III - Conclusão e referências
O mundo só mudará quando cada um de nós melhorar, pois não podemos mudar ninguém.
Uma excelente fonte de base sobre espiritualidade é a Doutrina Espírita e o Livro dos Espíritos, obra essencial para entender o mundo espiritual. O trabalho de Kardec é seríssimo e toda a codificação foi feita com base em métodos científicos de coleta e observação: as informações foram coletadas através de diferentes médiuns em diferentes localizações, e “cruzadas” em busca de uma verdade universal. Mais detalhes sobre o método utilizado pode ser encontrado na introdução do Livro dos Espíritos. Todos os acontecimentos extraordinários daquela época culminaram na compilação dessas obras, e no trabalho incessante de Kardec.
O Livro dos Espíritos é um livro de perguntas e respostas; as perguntas foram formuladas por Kardec e as respostas foram dadas por espíritos designados especialmente para esta tarefa. Todas as cinco obras básicas do Espiritismo (5), escritas no século XIX, são fundamentais para a compreensão deste universo, dando-se o desconto que foram escritas há mais de 150 anos e portanto tem uma linguagem adequada para aquela época, e até mesmo algumas simplificações que se fizeram necessárias.
O Evangelho Segundo o Espiritismo é um livro calcado nos ensinamentos evangélicos e essencial para qualquer espiritualista, sendo uma atualização da interpretação dos ensinamentos de Jesus na luz do espiritismo e da espiritualidade superior. Acima de tudo, o mesmo pode ser dito sobre o Cristianismo, associado ou não à alguma religião com dogmas. Eu diria que não importa se você é ateu, agnóstico, budista, umbandista, espírita, etc; se seguir os princípios evangélicos de amor ao próximo estará em um bom caminho espiritual.
As filosofias budista e hindu são extremamente valorosas e vale a pena o estudo delas, como já mencionei anteriormente. Aqui você pode encontrar um excelente resumo sobre a Lei do Karma. Todas as religiões são valorosas quando utilizadas para o aperfeiçoamento humano.
Para quem gosta de filmes, duas recomendações rápidas são Nosso Lar e Kardec, ambas produções nacionais. Um filme nunca há de corresponder à realidade e sempre sofrerá influências externas - por exemplo, na forma como as hierarquias são retratadas, como é o caso de Nosso Lar. É importante ter em mente que filmes transmitem ideias gerais (e não substituem o que é relatado nos livros), e portanto devem ser julgados através do conhecimento e do crivo da razão.
As obras de autoria do espírito André Luís (um pseudônimo), psicografadas por Chico Xavier, são riquíssimas em informações. Os 13 livros que compõem a coleção Vida no Mundo Espiritual estão muito a frente de seu tempo e esclarecem alguns processos do ponto de vista da espiritualidade, trazendo informações sobre um universo impensável naquela época. O primeiro livro da coleção, Nosso Lar, escrito em 1944, é um marco na história da espiritualidade terrena e traz informações sobre a primeira colônia espiritual jamais conhecida pelos humanos encarnados. As descrições da colônia são futuristas e impressionam até hoje.
Um livro interessante e que demonstra diversas pesquisas e evidências científicas de que a mente não está no corpo é Your Eternal Self, em inglês. As fontes das pesquisas são citadas exaustivamente no decorrer do livro.
(1) Existem exceções, mas não falarei sobre isso neste post.
(2) A materialização também é possível, mas é um fenômeno extremamente raro.
(3) Não falo sobre outras religiões por não ter conhecimento.
(4) Mais informações sobre o assunto podem ser encontradas no livro Missionários da Luz, psicografado por Chico Xavier e de autoria do espírito André Luiz.
(5) Livro dos Espíritos, O Evangelho Segundo o Espiritismo, Livro dos Médiuns, Céu e Inferno, A Gênese.
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